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O Que vocÊ Vai Comer em 2031?

Um Bate-Papo sobre Cinco Inovações Disruptivas para o Setor de Alimentos e Bebidas, com o Biólogo José Hermano Oliveira Franco e o Médico Veterinário Henrique Coelho



Você certamente sabe o que vai ser servido nas suas refeições ao longo do mês que vem ou do ano que vem... mas já parou para pensar em que ingredientes passarão a fazer parte da sua dieta daqui a 10 anos? Esse foi o tema de um webinar realizado pela Prefeitura Municipal de Pará de Minas, em MG, no dia 26/5/2021. Mais do que apresentar minha opinião sobre o futuro do alimento, quis discutir os limites para o desenvolvimento industrial e a percepção de profissionais que estão direta ou indiretamente ligados ao setor de Alimentos e Bebidas.


O webinar levou em consideração foi realizada uma pesquisa online, da qual participaram 123 pessoas, com idade média de 42 anos e de 9 Unidades da Federação. Elas possuíam alto grau de escolaridade (91,8% tinham pelo menos curso superior completo) e eram predominantemente do sexo feminino (59%). Para cada uma das tecnologias listadas, o respondente era instado a emitir sua opinião, variando de 1 (não comeria em hipótese alguma) a 4 (o alimento faria parte da minha dieta habitual) considerando-se, é claro, que haja tecnologias para produção em massa a preços acessíveis e arcabouço normativo para que a produção ocorresse de maneira segura ao meio-ambiente e ao ser humano.


ENTOMOFAGIA

No México, são reconhecidas quase 500 espécies de insetos comestíveis e isso é um hábito desde tempos pré-colombianos. Na Ásia, os mercados populares e os vendedores de comida de rua oferecem insetos e outros artrópodos terrestres como verdadeiras iguarias... mas os brasileiros que participaram desta pesquisa não se mostraram dispostos a incorporar os insetos em sua alimentação. 77,3% dos respondentes atribuíram notas 1 ou 2 à ideia de consumir alimentos preparados com insetos criados em laboratório, o que é uma pena. Sim, afinal os insetos contêm mais proteínas e ômega 3 do que carnes de aves ou mamíferos. Além disso, são fonte de fibra e não têm colesterol. Os riscos ambientais associados à sua produção são baixíssimos: a área necessária é 95 vezes menor do que a área necessária para produzir carne bovina, não há emissão de gases causadores de efeito estufa e o consumo de água e também bem mais baixo.


A FAO - Food and Agriculture Organization - reconhece que os insetos são um dos caminhos viáveis para combate à fome no mundo e a revista The Guardian estima que este mercado movimentará bilhões de dólares no prazo de 10 anos. Se a ideia de comer um grilo ou larva de besouro é repugnante, a boa notícia é que existe pesquisa em andamento no Brasil para desenvolver ingredientes como farinhas, as quais podem ser usadas para a produção de barrinhas de proteínas e outros itens. Naturalmente, eles só poderão ser incorporados pela indústria de alimentos após regulamentação pelos órgãos competentes.

LAB MEAT (CARNE DE LABORATÓRIO)

Imagine retirar algumas células musculares de um bovino previamente selecionado e colocá-las em um meio-de-cultura nutritivo para que elas se reproduzam em escala industrial. Imagine, então, embalar este tecido muscular obtido em laboratório, com textura, aroma e sabor idênticos ao de carne. Carne sem abate, sem risco de transmitir doenças zoonóticas e livre de resíduos e contaminantes. Ao invés de milhões de cabeças de gado, apenas um animal ou poucos animais para obter as células para cultura. Apesar de parecer improvável, isso já existe e está sendo comercializado desde 2020 em Hong Kong e de 2021 em Israel. A empresa que desenvolveu a tecnologia espera, até 2026, estar presente nos principais mercados.


Mas será que isto poderia ser chamado de carne? O RIISPOA (Regulamento da Inspeção Industrial de Produtos de Origem Animal) define Carne de Açougue como "massas musculares maturadas e demais tecidos que as acompanham, incluindo ou não a base óssea correspondente, procedentes de animais abatidos sob inspeção sanitária".


A ideia de comer 'carne' de laboratório teve uma tendência a ser rejeitada pela maior parte dos respondentes da pesquisa, com 65% se posicionando desfavorável à ideia.



ALIMENTOS QUE INDUZAM RESPOSTA IMUNE (VACINAS COMESTÍVEIS)

Existem pelo menos 11 espécies de plantas que foram modificadas geneticamente para expressar substâncias que induzem a resposta imune. A tecnologia tem aplicações em Saúde Pública e em Saúde Animal, mas esbarra em questões regulatórias, éticas e ambientais. Existe, também, a preocupação com o risco de superexposição ao agente e as consequências disso para o sistema imune. As vantagens associadas ao método estão a maior facilidade de produção em grande escala de vacinas, a logística para armazenagem e distribuição e o preço baixo, quando comparado ao de tecnologias atualmente disponíveis.


ALIMENTOS IMPRESSOS

E se você pudesse desenhar no seu computador e imprimi-lo usando tecnologia aditiva de impressão 3D? Essa tecnologia é amplamente usada em laboratórios de prototipagem, na produção de próteses, peças mecânicas, entre outras. Só que, sempre buscando novas aplicações da técnica, há agora a possibilidade de usar a impressora 3D com materiais comestíveis e fazer alimentos com design elaborado e que jamais poderiam ser feitos a mão.



MACONHA NA COZINHA?

Café e chá-mate para ficar ligado. Chá de hortelã ou erva-cidreira para acalmar. Chocolate meio-amargo para se concentrar. Chá de saião para resolver dor de estômago. Sejamos sinceros: plantas com princípios psicoativos fazem parte do nosso dia-a-dia. E não é de hoje: o consumo de plantas com efeitos psicotrópicos é provavelmente tão antigo quanto a historia da humanidade. Talvez por esse motivo, a Cannabis tenha entrado de maneira tão rápida em praticamente todos os segmentos do setor de Alimentos e Bebidas nos EUA: de leite para crianças a cerveja, de cookies integrais a chocolates - sejam suas partes (principalmente sementes) ou compostos extraídos da planta (THC ou CBD), não demora mais do que 5 min para achar um produto nas lojas norte-americanas.


A ideia pareceu interessante para a maior parte das pessoas que participaram da nossa pesquisa, mas este será um processo lento e que passará pela legalização do cultivo e da industrialização das plantas ou substâncias ativas de Cannabis. Este é um mercado bilionário com tendência de crescimento rápido, mas do qual a indústria brasileira ainda está de fora.

Curtiu? Assista o webinar completo no Canal da Prefeitura de Pará de Minas:


AGRADECIMENTOS

Muitíssimo obrigada aos respondentes da pesquisa e às pessoas que participaram da live. Como falei, não queria que este webinar ficasse restrito à minha percepção de futuro e a participação de vocês foi fundamental para construir um conteúdo mais afinado ao que os profissionais do setor pensam.



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